terça-feira, 2 de março de 2010

Sobre o desconhecido e luzes natalinas

Foi num passeio de carro com meus pais que vi, pela primeira vez, aquele enorme prédio azul que se erguia em frente à Praça da Independência. Estávamos nas proximidades do Natal e, naquela época, tínhamos o costume de passear à noite pela cidade para vê-la iluminada por inúmeras luzes natalinas. Eu era muito pequena, e ver todas aquelas janelas ornamentadas por luzes brilhantes foi quase um choque para mim. Lembro que eu tentava olhar, da janela do carro, para todos os lugares ao mesmo tempo, tentando conseguir uma visão ampla de toda a fachada, e que ficava com o pescoço dolorido de tanto olhar para cima. Eu nunca tinha visto algo tão grandioso e magnífico em toda a minha vida e, desde aquele dia, contemplar o Marista Pio X enfeitado como nunca passou a ser um ritual em todos os meus Natais.

Saber que lá funcionava uma instituição de ensino pareceu um absurdo para os meus ouvidos de menina. Eu estudava numa escola muito pequena e com poucos alunos, por isso não parecia possível haver uma escola tão grande como aquela, quase do tamanho da enorme praça que se estendia a sua frente. Passei a estudar lá logo na quinta série, já que a antiga escola não oferecia as séries seguintes. Ainda me lembro da ansiedade que senti ao cruzar aqueles portões de ferro azul marinho em minha primeira visita à escola.

Não vou dizer que os primeiros dias de aula no Marista foram fáceis, porque não foram. Logo no primeiro dia, me perdi durante o intervalo e só consegui chegar até a minha sala graças a Bigode. Mas não era só a imensidão da escola que me assustava. Todos os meus antigos colegas estavam em instituições diferentes, e eu me via num mundo completamente novo e desconhecido, onde teria de refazer todas as minhas amizades, quando eu não tinha uma considerável facilidade para isso. Mas, provando a inocência atrelada a ser criança, em poucas semanas já estava totalmente familiarizada pela turma.

Boas lembranças do meu ensino fundamental? Inicialmente, a sala de leitura. Sempre aparecia para Tia Crizélia com um caderno de caligrafia repleto de pequenas redações feitas durante todo o fim de semana para mais alguma figurinhas. Não, ainda assim eu não consegui completar um álbum. Em seguida, a biblioteca e as eternas conversas com Jesiel, o bibliotecário mais divertido que poderia existir. Veio também o engajamento nos grupos de arte e a participação no Capitão Jesuíno (Segura, Capitão!), que mesmo sendo um grupo de dança, conseguiu me passar valores que eu dificilmente aprenderia sozinha.

O Ensino Médio chegou como um furacão, e eu pude conhecer a sensação de amizade verdadeira, coletividade e carinho por uma turma de trinta e cinco alunos no segundo ano, quando mudei para a D. Naquele ano maravilhoso, conheci um grupo de pessoas especiais que mudaram a minha forma de ver a vida: uma garota muito à frente de seu tempo, um cara eloquente cheio de idéia revolucionárias, uma menina tão cheia de energia que mais parece um poodle, um cara estudioso demais que, certamente, conquistará o mundo, e um certo rapaz que acabou roubando meu coração.

Hoje, estou prestes a iniciar uma nova fase em minha vida, talvez a mais arriscada e emocionante de todas. Sinto como se estivesse no primeiro dia de aula da quinta série, com aquela mesma sensação de receio do desconhecido. É difícil admitir que não somos mais crianças e que nossos erros não poderão mais ser perdoados da mesma forma que eram há alguns anos. Não teremos mais a proteção dos altos muros da escola, nem a preocupação de nossos coordenadores, ao falar sobre vestibular. As brincadeiras e as risadas naquele pátio grande demais acabaram, serão apenas lembranças de um tempo bom. Os professores, encontraremos apenas eventualmente, e não adianta acreditar que veremos os nossos antigos colegas com a mesma frequência que antes.

Mas não, não há motivos para lágrimas. É chegada a hora em que temos que seguir em frente, iniciar um novo ciclo, correr atrás de nossos sonhos, provar ao mundo do que somos capazes e colocar em prática tudo o que aprendemos até então. Nessas horas, infelizmente, nem sempre as aulas sobre função logarítmica e verbo transitivo direto ajudam, mas é exatamente nessas horas em que me orgulho de ter estudado aqui. Não fomos preparados somente para passar no vestibular, mas para a vida, e é esse o diferencial. Somos todos uma enorme família.

Deixo o Marista com uma sensação de dever cumprido e de que encontrarei todas as pessoas que fizeram parte dessa minha caminhada para dizer que deu tudo certo e agradecer pela paciência. Até lá, me contentarei em observar o colégio enfeitado durante o Natal, em relembrar todos os momentos que passei e as pessoas maravilhosas que conheci, e compará-las às luzes natalinas, que brilham com intensidade exuberante no interior das minhas mais doces lembranças.

- Fernanda Barbosa 3°C

10 comentários:

Rafael disse...

Enfim nasceu \o/, alguem me dá um charuto?
me sinto um padrinho [perceba como sou intruso] que se depara com a doce alegria de saber que seu afilhado querido e anciosamente esperado finalmente veio ao mundo. Espero que você se divirta em seus passeios por essa terra maravilhosamente assustadora, e saiba também que estou sempre a dispoto a ajudar no que for preciso. Ao mais, lembranças são sempre sinônimos de nostalgia, nostalgia essa que volta e meia nos faz encher os olhos de poucas e sinceras lágrimas, mas quando elas vierem tenha em mente que foi divertido enquanto durou e que sua vida vai começar a ficar mais agitada agora, vão existir horas que vocÊ vai achar divertido e em contra ponto, também surgirão dias em que você vai querer explodir, mas a calma é a chave e sei que você tem muito desse ingrediente, e se por ventura ele acabar eu sei onde vende e nois vamos lá comprar um pouquinho =].

Jéssica disse...

Aeeeeeee.

Começar um blog logo com um texto lindo desse hein? hmmmmm. Prevejo boas leituras pra cá :D hahaha

;**

Te amo, florzinha ;D

;*

Saiury disse...

oi queridaa!
Aqui é carol,uma amiga de yordan,nao sei se vc se lembra,q estuda(va) no joao 23
Vim aqui deixar meu oi.x)

Pablo disse...

Deus, deu até saudade do tempo de Pio x :~~

Igo disse...

já percebi que não importa quantas vezes eu leia esse texto, ele sempre vai conseguir arrancar lágrimas minhas *.* simplesmente perfeito.

Kahuê Moraes disse...

ô! mais um ótimo blog pra eu seguir e ler tudinho :3 lindo o texto ^^

Yan disse...

Fernanda é a melhor =)

beave disse...

Já li esse texto algumas dezenas de vezes *0* Escritora tão maravilhosa (L)

Fernanda disse...

mega feliz pela reação positiva de todos *0*

passando pra fazer os devidos agradecimentos a tdos q tiveram coragem de tirar um tempinho pra passar aqui, fazer uma leitura e ainda deixar um comentário, fazendo desta que vos fala uma autora (autora? lecaus *-*) mto feliz :]
vcs n sabem como isso me deixou contente e animada \o/

obrigada mais uma vez, e um xêro especial pra cada um, meus tão amados amigos :*

Suzanne disse...

Aii Nanda.... toda vez q leio seu texto eu choro compulsivaente...

assim n dá!!!!

te amo pequena diva, estrelinha do meu coração =D

 

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